Lílian (a casta) chega a ser uma das personagens mais complexas do curta. Por vários motivos, primeiro, ela é de uma família rica, e nasceu com uma doença que não a daria muitos anos de vida (o que a diferencia de Petunia, que descobre subitamente seus dias contados), atualmente com 19 anos, aguarda seus 20 anos acreditando no fim. Então sempre foi muito mimada pela mãe que a trata como se fosse uma boneca e princesa.
Lílian tem tudo o que quer, o café da manhã perfeito, as jóias perfeitas, viajou o mundo todo, leu todos os livros, mas nunca teve uma vida realmente dela. Sempre disposta a agradar a mãe, isso fez com que Lílian criasse uma certa dualidade de pensamentos. Seu irmão - e seu único amigo, é a pessoa com quem ela pode contar, mas ele sempre está na rua, vivendo.
Lílian caminha em busca de histórias alheias, se perguntando o que será que o padeiro conversou com a esposa, e outros tipos de pensamentos que devem se passar na mente de pessoas que irão ter a chance que ela não terá: de viver por muito tempo. Em meio a isso tudo, ela está prestes a sucumbir a seus próprios demônios que sempre estiveram lá, mas caladinhos para que a sua mãe não escutasse. Guardando em seu banheiro privado, que inclusive tem uma chave, ela tem um espelho repleto de colagens de olhos. Ela quer ser observada, mas o mais importante, ela quer conseguir se enxergar. Seu reflexo não mostra nada de sua personalidade - pensamentos dela. Seu maior problema é esse. Ela foi tão mimada e dita o que deveria fazer, que não sabe quem é, e não sabe como fazer para descobrir. Lílian é complexa por ser casta ao extremo e mesmo assim esconder um lado negro que surpreenderá a todos. A dualidade se encontra presente nela, por mais que ela tente esconder a qualquer custo.